A SEXUALIDADE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA E A HIPOCRISIA

Sexualidade

Após um período de inatividade, volto com a temática da sexualidade da pessoa com deficiência e os artigos de opinião juntamente com um compromisso de semanalmente trazer uma reflexão sobre essa temática repleta de tabus e desinformação.

Hoje vamos de hipocrisia:

A Hipocrisia define bem como uma grande parcela da sociedade vê as questões sexuais daqueles que tem alguma deficiência, fazendo com que todo o tabu sobre sexo tenha origem, principalmente, a partir de uma moralidade altamente repleta de preconceitos.

A hipocrisia é fortemente percebida quando há uma atitude proibitiva quando o assunto é sexo e pessoa com deficiência, porque ainda vigora que a sexualidade da pessoa com deficiência é uma excepcionalidade e para aqueles julgados como fisicamente capazes, para a sociedade dos corpos perfeitos, a sexualidade é colocada como regra e é nessa dualidade que reside a hipocrisia e é dessa visão restritiva de quem pode ou não ter acesso ao sexo que o preconceito se evidencia.

Faça o que eu digo, mas não o que faço.

Sendo assim, a hipocrisia dá as mãos a uma moral construída sobre alicerces culturais, religiosos, políticos e sociais que demonizam o sexo e que ao mesmo tempo vivem a mesma sexualidade (mesmo que para reprodução) e na ignorância julgam a pessoa com deficiência como incapaz também de reprodução, ou seja, se não podem “transar” então… Isso é tristemente preconceituoso.

A moral, como um conjunto de regras, normas sobre o que é certo ou errado, não aceita que algo destoe e quando ocorre esse algo é condenado e aqui está inclusa a sexualidade humana onde, evidentemente, está inserida a sexualidade da pessoa com deficiência como diferente, pois, para quem não sabe os deficientes também são seres humanos, têm os mesmos desejos e também transam.

Sim! Pessoa com deficiência transa!!!

Nós, deficientes, erroneamente dizemos que “algo mudou”, “que está diferente”, mas isso ocorre principalmente mediante comparações entre o sexo antes e após a lesão no caso de cadeirantes ou, o mais corriqueiro, comparar a sexualidade com aquele ato comum que envolve penetração e orgasmo e aqui mora o maior dos enganos, pois sexo nunca será somente isso.

Não há regrinhas a serem seguidas, não há um manual e, sim, há uma vivência de descobertas que vão além da centralidade da sexualidade nas genitálias, há um universo que para ser descoberto obriga um desprendimento daqueles que têm em si uma vontade de viver sua sexualidade como sua, independentemente das regras gerais que desconhecem a sexualidade daqueles que têm deficiência.

Até a próxima!

Angelo Márcio

Assistente Social (Cadeirante)

 

Angelo Márcio

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Olá! Sou Angelo Márcio, sou Assistente Social, Técnico em Informática, Palestrante e desenvolvedor de diversos projetos voltados às questões das Pessoas com Deficiência.

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