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Infraestrutura inadequada deixa pessoas com deficiência visual em situação de risco no DF

Infraestrutura inadequada deixa pessoas com deficiência visual em situação de risco no DF

Piso tátil Deficiência Visual
Foto de Eren Li - Pexel

Ausência de piso tátil, carência de rampas de acesso a estabelecimentos, falta de sinalização sonora e falta de acessibilidade nos transportes públicos são algumas das limitações diárias presenciadas por pessoas com deficiência visual residentes do Distrito Federal.

Mesmo com a existência do Decreto-lei número 5.296, de 2004, que regulamenta e garante a acessibilidade a essas pessoas, cidadãos com qualquer grau de cegueira ainda afirmam não possuir devida segurança ao andar na rua.

“Não tenho nenhuma segurança na rua porque, mesmo que os carros parem para eu poder atravessar a pista, não tem o sinal sonoro. Porém, mesmo que a gente perceba que o carro parou na faixa, a gente ainda se sente com medo de atravessar porque pode vir outro e não parar, como já aconteceu várias vezes”, afirma a massoterapeuta Maria da Conceição Nunes de Oliveira, que tem deficiência visual desde que nasceu

“Na hora que eu coloquei o pé na faixa para atravessar, o carro veio e quase pegou. Isso com o sinal apitando, mostrando que ele tinha que parar”, afirmou.

Problemas no deslocamento público

Uma das principais limitações, desconsiderando os obstáculos em vias públicas como em calçadas, é a falta de acessibilidade e infraestrutura nos transportes públicos.

Dificuldades para encontrar informações visuais, como placas ou mapas, falta de anúncios sonoros ou em Braille, ausência de acesso a informações digitais em formatos acessíveis, e dificuldades de navegação em espaços lotados e movimentados ocasionam em uma dificuldade na experiência de deslocamento.

Por outro lado, o governo do Distrito Federal informou que, na Rodoviária do Plano Piloto, no ano de 2023, foram investidos cerca de R$ 5.7 milhões para recuperação a aprimoramentos em acessibilidade para pessoas com deficiência. Enquanto isso, nas estações do Metrô-DF, no mesmo ano, R$ 6 milhões foram destinados a melhorias de acessibilidade.

Porém, não é o que Maria da Conceição sente em relação ao terminal do Plano Piloto. “Na rodoviária, hoje, a sensação é de estar perdida. Hoje, a gente não tem mais uma orientação, porque ela foi reformada, tanto no inferior quanto no piso superior, foi colocado o piso tátil. Porém, com os camelôs, a gente não tem acesso”.

Ela diz que as barraquinhas atrapalham a movimentação dela.

“Inclusive, há dois meses, um colega foi agredido lá, justamente por isso, por ter as coisas no chão, a pessoa não orientou, ele pisou e quebrou, e aí o dono do camelô agrediu ele”.

Maria também reclamou da complexidade do deslocamento nas estações de metrô, afirmando a ausência de sinais sonoros informativos para indicar as estações do trajeto.

“Quando eu pego o metrô, muitas vezes, não está com o áudio legal. Na verdade, na maioria das vezes, dependendo do carro, ele nem tem, aí eu sou obrigada, se alguma pessoa estiver do lado, perguntar qual é a estação”.

Depois, quando ela desce do vagão, ela costuma registrar por escrito. “Mas nenhum retorno nos é dado sobre a correção do problema ou não, fica tudo externo lá para eles.”

Preconceito nos transportes privados

Aplicativos de transporte, como Uber e até sistemas governamentais como táxis são opções para quem deseja um deslocamento mais seguro, sem precisar recorrer a multidões em metrôs e ônibus. Entretanto, o preconceito enraizado na população causa dificuldades para essas pessoas recorrerem a tal tipo de transporte, como relatado por Maria.

“Eu já tive problema, eu já tive que relatar várias vezes para o aplicativo, porque o motorista se negou a me levar por eu ser cega. É uma questão de ética”

Programas públicos

Associações, Organizações sem fins lucrativos e até escolas são maneiras de incluir socialmente pessoas com deficiência visual.

É exemplo o Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais – CEEDV, localizado na quadra 612 Sul, na Asa Sul. A escola de natureza especial visa a inclusão de estudantes na rede regular de ensino, com professores especializados em braille, aulas de escrita em português, música, alfabetização e outras.

O benefício do colégio CEEDV para alunos com deficiência visual é ter apoio pedagógico para atendimentos para pessoas com deficiência visual (CAP), onde são produzidos livros didáticos, paradidáticos e literários em braille, que são distribuídos na rede pública do DF, segundo explica o diretor do Centro de Ensino Especial Airton Dutra.

O colégio CEEDV é público. Além dos alunos terem recursos pedagógicos, também possuem apoio psicológico e psicopedagógico. “O colégio possui apoio de profissionalização, consistindo em encaminhamento do estudante para qualificação profissional e para o mundo do trabalho. É uma escola bilíngue, onde se aprende libras e português.”, disse o diretor.

Fonte: Agência de Saúde Uniceub

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