“90 Decibéis” questiona o silêncio social em torno da deficiência auditiva

Filme de Fellipe Barbosa estreia no Festival do Rio e coloca a surdez no centro de um debate sobre identidade e representatividade.

Vejo um personagem sorridente, usando chapéu, óculos e uma camiseta preta escrita “Angelito”, sentado em uma cadeira de rodas enquanto digita em um notebook. Ao fundo, há uma paisagem verde e a famosa caixa d’água de Ceilândia, bem representada.
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Um plano médio captura um casal, um homem e uma mulher, abraçados na água de um lago ou rio, com a água alcançando aproximadamente o nível do peito. A mulher tem cabelos longos e escuros, vestindo uma peça de roupa preta, e está apoiada no ombro do homem, olhando diretamente para a frente com uma expressão séria. O homem, com barba e cabelo escuro, está com o torso nu, exibindo uma tatuagem no peito/ombro esquerdo, e olha diretamente para a câmera com uma expressão intensa. A luz é natural e brilhante. O fundo é a superfície da água com alguns objetos e terra embaçados ao longe.
Filme de Fellipe Barbosa estreia no Festival do Rio e coloca a surdez no centro de um debate sobre identidade e representatividade. Foto: Divulgação

No longa “90 Decibéis”, dirigido por Fellipe Barbosa e escrito por Julia Spadaccini, acompanhamos Ana, vivida por Benedita Casé Zerbini, uma advogada bem-sucedida que vê sua vida mudar ao enfrentar a perda progressiva da audição. A partir dessa transição, o filme expõe o impacto do capacitismo cotidiano e a necessidade de reinventar a forma de estar no mundo — profissionalmente, afetivamente e socialmente.

Com um elenco formado majoritariamente por atores com deficiência, a produção do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo conta ainda com Leandro RamosMaurício DestriPaulo VerlingsFlávia Gusmão, Stefano Carta e Guilherme Logullo. O grupo dá corpo a uma trama que propõe uma escuta ativa sobre inclusão, representatividade e autonomia. A narrativa parte de uma experiência íntima, mas abre espaço para refletir sobre o modo como a sociedade enxerga e silencia corpos fora da norma.

Apresentado pela primeira vez no Brasil durante o 27º Festival do Rio, no Cine Odeon, “90 Decibéis” combina realismo e delicadeza para tratar da transformação de uma mulher que precisa aprender a ouvir de outro jeito — os outros, e a si mesma.

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*Conteúdo originalmente publicado em Harpers Bazaars

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