Em Rio Claro, interior de São Paulo, a prática do futebol em cadeiras motorizadas tem mudado vidas e ampliado horizontes. A iniciativa é da Ong Blue Angels, que há dez anos organiza o Power Soccer, modalidade que reúne atletas de diferentes idades e com diversas limitações físicas.
Segundo reportagem publicada pelo G1 São Carlos e Araraquara, o projeto vai além do esporte: fortalece a autoestima, proporciona qualidade de vida e mostra que a inclusão pode ser realidade quando existem oportunidades.
Histórias que inspiram
Entre as histórias do time, está a da paratleta Joana D’arc Baptista, que enfrenta diariamente o desafio de viver em um prédio sem elevador. Para treinar, precisa descer escadas com grande esforço antes de embarcar em uma van da prefeitura que a leva aos treinos.
Mesmo após ter enfrentado um AVC e o diagnóstico de uma doença degenerativa durante a pandemia, Joana mantém vivo o sonho de chegar à seleção brasileira de futebol em cadeira de rodas.
“Já desmaiei subindo escada, já perdi a consciência, mas sigo lutando. Meu sonho é vestir a camisa da seleção”, contou.
O poder do esporte adaptado
O vice-presidente da ONG, Silvio Luiz de Souza, explica que o ganho vai muito além da quadra:
“O esporte é superação, e no adaptado essa superação se multiplica por mil”, disse.
O jovem atleta Daniel Hoffmann encontrou no Power Soccer a chance de realizar um sonho antigo:
“Sempre quis praticar futebol. Esse esporte mudou minha vida, me trouxe motivação e alegria”.
Já Kayt Ferreira reforça que a prática é libertadora:
“O Blue Angels dá asas para a gente, a gente voa dentro da quadra”.
Desafios fora da quadra
Mesmo com a força e alegria do esporte, os atletas denunciam as barreiras ainda presentes fora da quadra. A falta de acessibilidade no transporte público, os olhares capacitistas e o desrespeito são queixas recorrentes.
“No ônibus a gente se sente uma atração de circo. Os elevadores nunca funcionam. Queremos mais inclusão e menos capacitismo”, relatou Kayt.
Para Joana, a mensagem é clara: não basta valorizar o esforço dos atletas sem garantir direitos básicos.
“Sem acessibilidade e inclusão, não temos como criar asas, voar e ter uma vida normal”, afirmou.
Inclusão e transformação social
O futebol em cadeiras motorizadas mostra como o esporte pode ser uma ferramenta de transformação. Ao unir lazer, competição e convivência, a prática amplia possibilidades e abre espaço para uma sociedade mais inclusiva.
A experiência de Rio Claro serve como exemplo: quando há iniciativas que apostam na acessibilidade, surgem histórias de vida marcadas por coragem, sonhos e conquistas coletivas.
Fonte: Reportagem publicada pelo G1 São Carlos e Araraquara em 29/09/2025.





