MDHC reforça ações do Novo Viver sem Limite com foco na inclusão de pessoas autistas a partir de dados do Censo 2022

Audiência na Câmara dos Deputados reuniu representantes do governo, especialistas e sociedade civil para discutir estratégias de inclusão e garantia de direitos às pessoas autistas

Vejo um personagem sorridente, usando chapéu, óculos e uma camiseta preta escrita “Angelito”, sentado em uma cadeira de rodas enquanto digita em um notebook. Ao fundo, há uma paisagem verde e a famosa caixa d’água de Ceilândia, bem representada.
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A imagem mostra uma sessão em andamento em uma sala de reuniões oficial, provavelmente de um órgão legislativo ou governamental. Há várias pessoas sentadas diante de mesas equipadas com notebooks ou tablets, enquanto um grupo de autoridades está na mesa da frente. No canto superior direito, há um telão transmitindo a reunião, incluindo intérprete de Libras, o que indica preocupação com acessibilidade para pessoas surdas. No fundo, vê-se a bandeira do Brasil e o retrato oficial de uma autoridade.
(Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

Com base nos dados inéditos do Censo 2022 sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) destacou, em audiência pública na Câmara dos Deputados nessa terça-feira (12), as ações do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Novo Viver sem Limite, que reúne 95 iniciativas e R$ 6,5 bilhões em investimentos para fortalecer a inclusão, a autonomia e a cidadania das pessoas com deficiência em todo o país.

Representante da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), o coordenador da Câmara Técnica de Políticas Públicas e Deficiências Psicossociais, Sérgio Prudente, destacou que os dados inéditos coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são fundamentais para que o poder público possa definir prioridades e construir políticas públicas. “Essas informações do Censo 2022 são fundamentais para compreender a realidade, estabelecer diagnósticos e definir prioridades. É a partir dessas evidências que podemos direcionar de forma assertiva as políticas desenvolvidas pelo Novo Plano Viver sem Limite, garantindo que suas 95 ações mobilizem esforços concretos para transformar vidas e fortalecer a inclusão em todo o território nacional”, explicou.

Durante a audiência, o diretor de Políticas de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva do Ministério da Educação (MEC), Francisco Alexandre Dourado Mapurunga, destacou o compromisso do governo federal com a promoção da educação inclusiva e a garantia de direitos às pessoas com deficiência, em especial às pessoas autistas.

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“O estudante autista é reconhecido como pessoa com deficiência pela legislação brasileira e deve estar no centro das ações da política de educação especial na perspectiva inclusiva. Os dados do IBGE mostram que 46% das pessoas autistas não concluíram o ensino fundamental, o que reforça a urgência de combater o capacitismo e assegurar oportunidades de aprendizagem desde a base. Avançamos na matrícula de 900 mil estudantes autistas, sendo 96% em classes comuns; ampliamos salas de recursos multifuncionais, investimentos e formações docentes; e estamos atualizando a política nacional para fortalecer as redes de ensino, promover articulação intersetorial e garantir materiais pedagógicos acessíveis”, afirmou.

A audiência pública, sugerida pelo deputado federal Duarte Jr., teve como objetivo compreender como os órgãos públicos estão estruturando suas ações a partir das informações atualizadas sobre a população autista e identificar os principais desafios nas políticas públicas já em execução. “O crescente número de diagnósticos de autismo é uma realidade mundial e, embora as causas ainda não sejam conclusivas, o que sabemos é que essas pessoas existem e precisam não apenas ser vistas, mas cuidadas e atendidas, com seus direitos assegurados”, disse.

Censo

O Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE, trouxe dados específicos sobre pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pela primeira vez. A coleta foi feita por meio de um quesito no questionário da amostra, no qual o informante do domicílio indicava se algum morador havia recebido diagnóstico de autismo por um profissional de saúde. Os resultados apontaram 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico. A faixa etária de 5 a 9 anos apresentou a maior proporção de diagnósticos, com 2,6% das crianças identificadas com TEA. Regionalmente, o Centro-Oeste teve a menor taxa (1,1%) e as demais regiões registraram 1,2%. Em números absolutos, o Sudeste concentrou mais de um milhão de casos, seguido por Nordeste (633 mil), Sul (348,4 mil), Norte (202 mil) e Centro-Oeste (180 mil).

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Novo Viver sem Limite

O Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Novo Viver sem Limite já registra importantes entregas, como o custeio adicional de 20% aos Centros Especializados em Reabilitação (CER) para o atendimento a pessoas com autismo e a implantação de salas multissensoriais em aeroportos voltadas a pessoas neurodivergentes, já em funcionamento nos terminais de Congonhas (SP), Florianópolis (SC), Galeão (RJ), Natal (RN), Recife (PE), Santos Dumont (RJ), Vitória (ES) e Campo Grande (MS).

O plano também prevê a capacitação de 6 mil profissionais de segurança pública para qualificar o atendimento a pessoas com deficiência psicossocial. Ao todo, o Novo Viver sem Limite contempla 95 ações e um investimento de R$ 6,5 bilhões, fortalecendo a promoção da inclusão, da autonomia e da cidadania das pessoas com deficiência em todo o país.

Câmara Técnica

A Câmara Técnica de Políticas Públicas e Deficiências Psicossociais, que integra a Câmara Interministerial dos Direitos da Pessoa com Deficiência, conduz um ciclo de escutas, audiências e diálogos com especialistas e gestores públicos até dezembro de 2025. As contribuições recolhidas serão sistematizadas no primeiro semestre de 2026.

Criada pelo Decreto nº 11.697/2023 e assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a Câmara Interministerial é a principal instância de articulação do governo federal para integrar ações e políticas públicas voltadas à inclusão das pessoas com deficiência no país. Atua sob coordenação MDHC e com participação de representantes de diversos ministérios e órgãos federais, com caráter consultivo e deliberativo.

Participação

A audiência contou com a participação do coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde (MS), Arthur de Almeida Medeiros; a Procuradora da República e membro do Grupo de Trabalho “Pessoas com Deficiência” da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF), Jaqueline Buffon; a coordenadora do Grupo de Trabalho Pessoas com Deficiência do IBGE, Luanda Chaves Botelho; o advogado e presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB) Edilson Barbosa; e a professora, especialista em autismo, representando a Rede Observatório BPC, Miriam Ferreira Leal.

*Matéria original em GovBr

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