Luciana Viegas: Expandindo oportunidades para pessoas negras com deficiência em todo o mundo

Vejo um personagem sorridente, usando chapéu, óculos e uma camiseta preta escrita “Angelito”, sentado em uma cadeira de rodas enquanto digita em um notebook. Ao fundo, há uma paisagem verde e a famosa caixa d’água de Ceilândia, bem representada.
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Luciana Viegas, sorrindo e apoiando o rosto nas mãos. Ela veste uma blusa clara e está em frente a um fundo amarelo com formas orgânicas decorativas.
Luciana Viegas - Foto: Ford Foundation

Para Luciana Viegas, a decisão de fundar o Black Disabled Lives Matter (Vidas Negras Com Deficiência Importam) foi profundamente pessoal. Ao saber que seu filho pequeno estava no espectro autista, ela percebeu a discriminação generalizada contra pessoas negras com deficiência em seu país natal, o Brasil, e viu uma oportunidade de reduzir essa desigualdade. Agora, o que começou como um projeto para ampliar as oportunidades e conscientizar sobre pessoas negras com deficiência no Brasil obteve tanto sucesso que está inspirando um movimento internacional.

Por meio de advocacy, produção de dados, desenvolvimento de liderança e narrativa, a Black Disabled Lives Matter (BDLM) torna visíveis os desafios singulares que pessoas negras com deficiência enfrentam no Brasil e no exterior. Como diretora executiva da organização e Ford Global Fellow, Viegas lidera a BDLM no combate aos preconceitos estruturais que impactam a vida da comunidade negra com deficiência. Ela defendeu pessoas negras com deficiência em alguns dos palcos mais importantes do mundo, incluindo o Supremo Tribunal Federal no Brasil e as Nações Unidas.

Quando criei o Black Disabled Lives Matter, eu sabia que o problema a ser enfrentado não era o autismo. Não se tratava de pessoas neurodivergentes, ou de pessoas negras neurodivergentes”, disse Viegas. “O problema era que nossos sistemas eram inadequados para reconhecer a interseccionalidade entre racismo e capacitismo.

Atualmente, pessoas negras com deficiência no Brasil enfrentam discriminação em quase todos os setores da sociedade. Frequentemente, elas têm acesso negado a cuidados médicos consistentes, o que significa que muitas pessoas não recebem diagnóstico ou são encaminhadas para instituições de saúde mental que não atendem às suas necessidades. Pessoas negras com deficiência também enfrentam uma taxa mais alta de violência policial, tanto no Brasil quanto no mundo. 

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O BDLM trabalha para conscientizar e apoiar essa comunidade. O primeiro passo foi quantificá-la; como o governo brasileiro não coletava dados sobre o número de pessoas negras com deficiência no país, suas necessidades eram frequentemente negligenciadas. O BDLM trabalhou de 2020 a 2022 para coletar dados para o Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial como forma de incentivar o governo brasileiro a apoiar a comunidade. 

Somos a primeira organização a coletar dados sobre pessoas negras com deficiência no Brasil. Antes disso, nosso governo só tinha dados desagregados: havia dados sobre pessoas negras no Brasil e dados separados sobre pessoas com deficiência, mas nenhum sobre quantas pessoas negras com deficiência existem”, disse Viegas. “Em conjunto com parceiros como a Minority Rights e a Universidade de York, elaboramos esta pesquisa e a disponibilizamos em uma linguagem acessível para que todos possam entender. Agora, com essa conscientização crescente da comunidade, outros estão se perguntando como podem se juntar a esse trabalho e gerar mais apoio para pessoas negras com deficiência.

No futuro, Viegas espera que o BDLM sirva de modelo para outras organizações ao redor do mundo que buscam ajudar suas próprias comunidades negras com deficiência — ou qualquer comunidade historicamente sub-representada que lida com exclusão sistêmica e falta de reconhecimento governamental. Ela está trabalhando com organizações na América Latina, Tailândia e Nepal, além de elaborar estratégias com o grupo internacional de sua comunidade Ford Global Fellowship, em iniciativas compartilhadas e lições de liderança que apoiam pessoas com deficiência em outras comunidades.

Apesar do crescimento e do impacto internacional do BDLM, o objetivo final de Viegas permanece o mesmo desde a sua criação. “Criei o BDLM para o meu filho”, disse ela. “Então, se pudermos ajudar a criar um mundo melhor, um mundo onde haja maior apoio e compreensão das vidas e histórias de pessoas negras com deficiência, isso já é o suficiente para mim.”

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*Conteúdo publicado originalmente em inglês na Ford Foundation.

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