Eleitores com deficiência: barreiras ainda impedem o acesso ao voto

Relatos do primeiro turno incluem uma família que precisou carregar a filha em Taguatinga. A ampliação das seções adaptadas precisa chegar ao percurso de quem vai votar.

Vejo um personagem sorridente, usando chapéu, óculos e uma camiseta preta escrita “Angelito”, sentado em uma cadeira de rodas enquanto digita em um notebook. Ao fundo, há uma paisagem verde e a famosa caixa d’água de Ceilândia, bem representada.
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Mulher com deficiência física, vestindo roupa verde e sentada em cadeira de rodas, utiliza uma urna eletrônica durante votação em seção eleitoral. A imagem mostra a cabine de votação da Justiça Eleitoral e a identificação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
© Frame TSE

Eleitores com deficiência enfrentaram obstáculos para votar no primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro. A reportagem da Radioagência Nacional mostra que o direito de participar das decisões do país ainda esbarra em problemas de acesso aos locais de votação.

Quase 2 milhões de pessoas com deficiência estavam aptas a votar. Segundo a reportagem, a Justiça Eleitoral ampliou em 41% o número de seções adaptadas, ultrapassando 220 mil. Entretanto, os relatos mostram dificuldades que permaneceram apesar desse crescimento.

Em Taguatinga, no Distrito Federal, a pedagoga aposentada Sonia Véras e o marido precisaram carregar a filha, que tem esclerose múltipla, para vencer uma calçada elevada. Ambos estão na faixa dos 70 anos.

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Em Goiânia, Orlando Carneiro Júnior encontrou os dois elevadores do local de votação quebrados. Segundo seu relato, recebeu as alternativas de justificar a ausência ou ser carregado por voluntários. Para conseguir votar, aceitou ser carregado.

Eleitores com deficiência precisam de um percurso acessível

Essas situações mostram por que a acessibilidade deve ser avaliada desde a chegada ao local até a utilização da urna. Uma seção pode ter espaço interno adequado e continuar inacessível para quem encontra uma calçada sem rebaixamento ou um elevador sem funcionamento.

A existência de um equipamento também exige manutenção e verificação. Um elevador quebrado no dia da eleição pode interromper todo o percurso planejado pelo eleitor.

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Para quem depende de acessibilidade, sair de casa costuma envolver organização: conferir o endereço, planejar o transporte, verificar a entrada e combinar os apoios necessários. Quando a estrutura anunciada não funciona, esse planejamento é comprometido.

Ser carregado para alcançar a urna não pode ser tratado como solução de acessibilidade.

A disposição de familiares e voluntários pode ajudar diante de uma emergência, mas não substitui as condições que deveriam estar garantidas. Também pode expor o eleitor e quem o auxilia a quedas, dores e constrangimentos.

A pessoa com deficiência deve poder escolher o apoio de que precisa. Encontrar uma barreira e ser obrigada a aceitar uma alternativa improvisada reduz essa possibilidade de escolha.

Garantir o voto exige corrigir as barreiras

Os relatos precisam orientar providências antes do segundo turno. A verificação dos locais deve considerar entradas, calçadas, circulação interna, sinalização e funcionamento dos equipamentos.

Também é necessário ouvir os eleitores que enfrentaram os problemas. Quem encontrou uma passagem bloqueada ou não conseguiu utilizar uma entrada tem informações essenciais para avaliar o que precisa mudar.

A responsabilidade envolve a Justiça Eleitoral e os demais órgãos e instituições responsáveis pelos prédios e pelo entorno. O eleitor precisa encontrar um caminho utilizável, independentemente de como essas atribuições estejam distribuídas.

A ampliação das seções adaptadas é importante. Mas os números precisam corresponder à experiência de quem chega para votar. A avaliação deve considerar se a pessoa conseguiu entrar, circular e exercer seu direito com segurança e dignidade.

Nós, pessoas com deficiência, fazemos parte da população que decide os rumos do país. Nossa participação não pode depender da força física dos familiares ou da disponibilidade de desconhecidos para vencer obstáculos previsíveis.

O direito ao voto precisa estar garantido também no caminho até a urna. Deficiência não é limite. Barreiras são.


Fonte: Radioagência Nacional — Eleitores com deficiência relatam dificuldades para votar no 1º turno. Reportagem de Gabriel Correa, com produção de Luciene Cruz, publicada em 13 de outubro de 2026.


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