O capacitismo no mercado de trabalho não termina quando uma pessoa com deficiência consegue uma vaga. Ele pode aparecer na forma de uma tarefa que lhe é negada sem avaliação de suas competências, de um comentário que a diminui ou da falta de acessibilidade para exercer a própria função. Segundo reportagem do Valor Econômico sobre a pesquisa Radar da Inclusão 2026, 76% dos participantes relataram ter sido prejudicados no trabalho em razão da deficiência. O dado retrata as respostas da pesquisa; não deve ser lido como uma estimativa para todas as pessoas com deficiência do país.
A contratação não garante inclusão
Uma empresa pode cumprir sua obrigação de contratar e, ainda assim, manter barreiras no cotidiano. Quando gestores presumem incapacidade, colegas desqualificam um profissional ou recursos de acessibilidade não são oferecidos, a pessoa contratada precisa enfrentar obstáculos que nada dizem sobre sua real capacidade de trabalhar.
A terceira edição do Radar da Inclusão, apresentada em 28 de setembro, amplia o olhar para a permanência no emprego, a saúde mental e a qualidade da inclusão. Esse recorte importa porque ter acesso a uma vaga é apenas uma parte do direito ao trabalho. Também é preciso poder desempenhar as atividades, participar das decisões e crescer na carreira em condições justas.
Combater o Capacitismo no mercado de trabalho exige mudanças concretas
O preconceito pode ser explícito, mas também se esconde em decisões tratadas como rotineiras: oferecer vagas abaixo da qualificação de alguém, deixar de considerar adaptações necessárias ou ignorar uma denúncia. Por isso, uma política de inclusão precisa alcançar os processos seletivos, a atuação das chefias, a acessibilidade do ambiente e os critérios de promoção.
As empresas devem ouvir as pessoas com deficiência e verificar o que acontece depois da admissão. Se o trabalhador não encontra condições para exercer sua função ou não confia nos canais de denúncia, a inclusão anunciada pela organização não corresponde à experiência de quem está ali todos os dias.
O número divulgado pela pesquisa ajuda a dar visibilidade a um problema conhecido por muitas pessoas com deficiência. A responsabilidade de eliminar essas barreiras não pode continuar recaindo sobre quem as enfrenta. Cabe às empresas rever práticas, assegurar acessibilidade e tratar seus profissionais como sujeitos de direitos, com competência e perspectivas de futuro.
Fontes
Valor Econômico — “Capacitismo atinge 76% das pessoas com deficiência no mercado de trabalho”; Talento Incluir — Radar da Inclusão 2026. A reportagem do Valor informa o dado de 76% e descreve barreiras de acessibilidade e discriminação por gestores e colegas; a Talento Incluir identifica o escopo da terceira edição da pesquisa. Valor Econômico
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