O Brasil registrou aproximadamente 1,9 milhão de eleitores com deficiência em 2026, o maior número já identificado pela Justiça Eleitoral. Em 2022, eram cerca de 1,3 milhão. O crescimento desse contingente reforça a necessidade de assegurar condições para que o direito ao voto seja exercido com segurança, autonomia e dignidade.
Para atender esse público, a Justiça Eleitoral ampliou o cadastro de seções com acessibilidade, que passou de 156,2 mil nas eleições anteriores para 220,5 mil. O avanço precisa ser acompanhado pela verificação das condições reais de acesso e atendimento. A existência de uma seção cadastrada como acessível deve corresponder à experiência de quem chega para votar.
Recorde de eleitores com deficiência exige planejamento acessível
O aumento do número de eleitores com deficiência registrados dá maior visibilidade a um público que precisa ser considerado em todas as etapas da organização eleitoral. Isso inclui a escolha dos imóveis, a distribuição das seções, a comunicação sobre os endereços e os recursos disponíveis durante a votação.
Esse crescimento no cadastro não deve ser interpretado, isoladamente, como aumento da quantidade de pessoas com deficiência no país. O dado se refere ao eleitorado identificado pela Justiça Eleitoral e reforça a importância de conhecer suas necessidades para planejar o atendimento.
Pessoas com diferentes deficiências podem encontrar obstáculos distintos no mesmo local. Por isso, garantir acessibilidade exige avaliar o percurso completo: chegar ao prédio, entrar, localizar a seção e utilizar a urna. A participação de quem vivencia essas barreiras ajuda a identificar problemas e orientar as providências necessárias.
Dificuldades persistem no caminho até a urna
Apesar da ampliação das seções acessíveis, a Agência Brasil registrou dificuldades no Rio de Janeiro. Alexandre Prudente, usuário de cadeira de rodas, foi à Uerj, onde votara anteriormente. Depois de percorrer rampas e chegar ao oitavo andar de elevador, descobriu que sua seção havia retornado à Igreja Metodista, em Vila Isabel. No endereço correto, ainda esperou cerca de uma hora, apesar da prioridade.
Em outra escola, Isaura dos Santos, de 77 anos, relatou escadas, falta de elevador e iluminação inadequada. No mesmo local, Maria Lídia Gomes de Matos, de 85 anos, conseguiu votar com apoio de outras pessoas.
A Justiça Eleitoral informa que realiza vistorias periódicas nos imóveis utilizados para votação. Também prevê prioridade, auxílio de acompanhante quando necessário e recursos acessíveis na urna. Essas garantias precisam funcionar de maneira integrada: o recurso disponível dentro da cabine não elimina uma barreira que impede a chegada até ela.
O recorde de eleitores com deficiência aumenta a responsabilidade de transformar as condições de votação. O apoio de familiares e mesários pode ser necessário e deve respeitar a escolha de cada pessoa, mas não substitui a estrutura acessível. Garantir o voto é assegurar que a cidadania possa ser exercida sem obstáculos evitáveis.
Fontes: Agência Brasil
Descubra mais sobre Deficientes Indignados
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


