“Pessoa com deficiência” é a expressão adotada na legislação brasileira e recomendada para a comunicação institucional. A escolha reconhece a deficiência sem transformar essa característica na definição inteira de alguém. Antes de qualquer diagnóstico, estamos falando de pessoas com histórias, desejos, opiniões e direitos.
Em seu glossário anticapacitista, a AACD orienta a evitar expressões como “portador de deficiência” e “especial”. A proposta é contribuir para uma comunicação respeitosa e para relações que não reproduzam a discriminação.
Por que utilizar pessoa com deficiência?
A Lei Brasileira de Inclusão considera a deficiência a partir da interação entre impedimentos de longo prazo e barreiras que podem dificultar a participação social em igualdade de condições. Essa perspectiva amplia a discussão: é necessário olhar também para os ambientes, os serviços e os comportamentos que excluem.
Uma escada sem alternativa acessível, uma informação indisponível em formatos acessíveis e um atendimento que desconsidera a autonomia são exemplos de barreiras. Reconhecer a pessoa com deficiência como sujeito de direitos exige enfrentar esses obstáculos.
Na comunicação, algumas escolhas ajudam:
| Expressão a evitar | Alternativa recomendada |
|---|---|
| Portador de deficiência | Pessoa com deficiência |
| Pessoa especial | Pessoa com deficiência |
| Pessoas normais, em oposição às pessoas com deficiência | Pessoas sem deficiência |
Também é importante ouvir como cada pessoa prefere ser identificada. A orientação para documentos e atendimentos deve caminhar junto com o respeito à maneira como alguém se apresenta.
Combater o capacitismo exige atitudes
A AACD recomenda não infantilizar, não tratar com pena e perguntar antes de oferecer ajuda. Esses cuidados reconhecem que a pessoa pode decidir sobre o próprio corpo e sobre o apoio que deseja receber.
O respeito precisa aparecer na prática. Usar uma expressão adequada enquanto se ignora o que a pessoa diz mantém a exclusão. Da mesma forma, um discurso sobre inclusão perde força quando os espaços e as informações continuam inacessíveis.
A reflexão que fica é esta: aprender uma terminologia deve nos ajudar a mudar relações. A deficiência não apaga a identidade de ninguém, e reconhecer diferenças não autoriza diminuir direitos.
Acessibilidade não é gentileza, inclusão não é caridade e respeito não é favor.
Fontes: AACD, responsável pelo glossário e pelas orientações de linguagem e convivência; Lei Brasileira de Inclusão, referência para o conceito de deficiência e barreiras.
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